Mais um texto meu no YoungFlies!
Passei um tempo pesquisando sobre tendências de mercado, comunicação e mídias sociais para escrever aqui no blog e acabei me deparando com esse artigo da Super Interessante, que me despertou a vontade de escrever outra coisa aqui.
(também foi da Super Interessante que eu surrupiei essa imagem)
O artigo falava, basicamente, das resoluções de ano novo que as pessoas fazem, porque acham que se o ano mudou, a vida vai mudar também. O top 10 de resoluções era esse aqui:
1. Perder peso (1.470 votos)
2. Comer, beber, aprender ou tentar algo novo (999 votos)
3. Guardar dinheiro (909 votos)
4. Ser feliz (890 votos)
5. Definir uma meta atlética acessível, tipo correr 5 ou 10 km (822 votos)
6. Se apaixonar (695 votos)
7. Tirar fotos em todos os dias do ano (659 votos)
8. Arranjar um emprego (652 votos)
9. Ler mais (620 votos)
10. Parar de fumar (452 votos)
Mas a gente sabe que as pessoas raramente cumprem as resoluções que planejam para suas vidas, não é mesmo? A razão para isso, caro leitor, eu encontrei no ano passado (ah, os áureos tempos de 2010), na aula de Neurociências Aplicadas ao Consumo, lá na pós da ESPM.
A culpa não é da força de vontade, do povo brasileiro ou da atual conjuntura econômica. A culpa é nossa e da nossa evolução. Vejamos, do ponto de vista evolutivo, o homem é um ser muito novinho, quase um bebê.
Mas o que a evolução tem a ver com o nosso comportamento? Oras, trabalhamos com o que temos, é o que eu sempre digo! Vou contar: nosso processo de tomada de decisão é majoritariamente emocional e as emoções primárias tem razões evolutivas.
Não ficou claro? Explico mais: a emoção é o jeito inteligente da natureza otimizar nossas ações – é a emoção que automatiza as nossas atitudes. Em outras palavras, são as nossas emoções que nos fazem agir e tomar as decisões que tomamos – por exemplo, milhares de anos atrás, uma emoção fez com que nós, seres humanos, ficássemos apenas em um lugar, plantando comida na nossa fazendinha (ainda fora das redes sociais). É a ânsia pelo novo, a expansividade do ser humano que garante a nossa evolução – se a gente fosse acomodado e gostasse de mais do mesmo, teríamos sido dizimados milhões de anos atrás.
Mas o que isso tem a ver com as resoluções de ano novo?
Fiz um grande parêntesis para dizer que, não sei se alguém já notou, mas o que difere o homem dos animais não é o pensamento – os animais são inteligentes também – e sim o fato de que o homem é o único animal que pensa sobre o futuro. Aliás, é neurologicamente impossível para uma pessoa não pensar sobre o futuro (só eu aqui, em cinco minutos pensei umas duas vezes sobre isso).
Planejar o que faremos no futuro é projetar emocionalmente nossos corpos e mentes no futuro e, por ser um processo essencialmente emocional, o planejamento quase nunca segue uma ordem lógica e racional.
Planejar é o que faz com que a nossa vida seja como ela é! Por isso que todos os dias pensamos em coisas que gostaríamos de fazer, mas que acabamos não fazendo, ou fazemos mudando completamente o plano original. É porque somos humanos, somos jovens.

Também penso nisso às vezes. Acho que nem é pensar no futuro que difere o humano dos outros animais. Acho que a grande diferença é que contamos histórias. E histórias contam eventos em um período de tempo. Um plano é uma história, um roteiro. Uma lista de procedimentos também é uma história e por aí vai. Somos todos contadores e consumidores de histórias.
Sim, nossas histórias… Mas, sabe, o problema de quando contamos histórias sobre as nossas vidas, dependemos da nossa memória, que é altamente afetada pelas nossas emoções. Na hora em que vivemos uma história e também na horam em que a contamos.
Somos reféns das nossas emoções, pobres humanos.
Deixando as lamentações de lado, eu diria que mais do que consumidores de histórias, consumimos e somos consumidos pelas nossas emoções.
–At least, that’s what I think.