Laísd

Os PGE’s que eu quero assistir esse semestre

Publicado por: laisd em: 30 Novembro, 2009

Todo fim de semestre na ESPM é pura alegria: quem se forma faz PGE. Daí fiquei feliz em ver como a publicidade no meio infantil é um tema que não interessa só a mim, mas também uma galera que fez desse o tema do seu projeto de graduação.
Aqui vai a lista com dias, temas e horários dos PGE’s infantis.

Quarta (2-12)
Mídia contemporânea, consumo musical e culturas juvenis – 19h30, sala B317

Segunda (7-12)

PGE Disney – 21h20, auditório Phillip Kotler

Terça (8-12)
Infância e publicidade – 17h20, sala B317

Quarta (9-12)
Personagens infantis – 17h20, sala B317
Espaço urbano e a cultura juvenil – 19h30, sala B317

Sexta (11-12)
Infância e consumo – 17h20, sala B317

Todos no campus da Rua Álvaro Alvim, 123 – Vila Mariana (que saudades!)

Acho bacana ir lá ver, nem que seja pra discordar de tudo e depois bater um papo. :)
#ficadica

infância geek

Publicado por: laisd em: 13 Novembro, 2009

O termo “Geek”, que tem sido largamente usado na nossa história recente, quer denominar um “nerd”, termo que a gente já cohece desde os anos 80, que é mais descolado. (yatta, yatta, yatta, vou explicar do meu jeito agora: um geek é um nerd com amigos.)

Como recebi um pedido de ajuda essa semana com a seguinte desculpa:

É que você é a amiga mais geek e inteligente que eu tenho…

(quase acreditei, tá?)

E além disso, ouço sempre as pessoas me perguntando coisas e depois elas se supreendem porque eu sei a resposta. (Se não esperam que eu saiba, por que vocês perguntam? Não que eu realmente me ache tudo isso, mas quando eu não sei eu vou pesquisar e depois que eu fico sabendo, já era. Eu catalogo a informação). Daí fiquei pensando: como eu era e o que eu fazia quando criança para ter me tornado uma grown up geek?

Quero dizer, nós, “adultos” somos formados por experiências de toda uma vida. Acredito sim  – com algumas reservas – que o homem seja produto do meio em que vive, nem que seja para fazer tudo exatamente de outra forma. Porque não tem jeito: a gente aprende ao longo do caminho e se adapta às condições em que vive. Não sou eu quem está dizendo isso. Se você discorda, vai ter que discutir no after life com Durkheim, Darwin e uma galera…

Além de tudo isso, essa semana vi de novo e me diverti de novo com o vídeo a seguir:

“Don’t talk back to Darht Vader, he’ll get ya!”

Linda, né? Tem todos os requisitos: criança contando uma história aclamada durante anos por milhares de fãs ao redor do mundo, de um ponto de vista único, de forma única, pura e simples. 

Então, passei a perguntar para as pessoas, no twitter, que coisa geek/ nerd/ cdf elas faziam quando crianças e no próximo post me proponho a analisar como essas experiências as transformaram no que são hoje. (Meu filtro vai além de “e hoje são usuários do twitter”). Algumas das respostas que tive foram:

Qdo eu tinha uns 2 ou 3 anos, nos almoços, decorei as letras do alfabeto que eram imãs da geladeira e tentava formar palavras. @JessikaYuri

Eu, com 6 anos, tinha um grupo de teatro que encenava os musicais da Disney. Ensaiávamos todo dia e fizemos 3 apresentações. @nutpie

Eu montava computadores, ao invés de brincar de Lego. @rubaorubao

E outros anônimos, que vieram ao vivo:

Aprendi a ler com 4 anos e achava que meu irmãode 3 também tinha que saber. Então ensinei a ele.

Na hora de brincar na sala de aula eu ia pro fundo da sala ler algum livro.

Minha amiga queria ser uma paquita pra ajudar a Xuxa no palco. Eu queria ser a Leslie, do Beakmann, pra fazer as experiências.

Eu tenho uma sacola do Star Wars com meu rosto no lugar do C3PO.

Eu achava que aprendia pouco quando estava no jardim 2, precisava de novos desafios.

Fiquei indignada quando descobri que na nova escola não tinha aula de filosofia no ensino fundamental.

Que fique claro uma coisa: eu não entendo por “geeks”, apenas os aficionados por tecnologia e comunicação. compreendo que somos aficionados por compartilhar conhecimento com os amigos. :)

Você se acha geek? Lembrou de algum fato de sua tenra infância e quer dividir com quem lê este blog? Conta pra gente nos comentários!

A publicidade infantil é ética?

Publicado por: laisd em: 5 Novembro, 2009

OK, já dei minha opinião aqui antes… Vocês já sabem o que eu penso a respeito disso.

A ética de alguma coisa (QUALQUER COISA NO MUNDO!) depende de quem faz a tal coisa.

Daí eu abro um link sobre esta pauta que começa com os seguintes dizeres:

Vocês já perceberam como as crianças de hoje pressionam os pais para comprar esse ou aquele produto ou marca de sua preferência? Que suas teimosias, birras, explosões de ira, são cada vez mais freqüentes, querendo nos impor suas vontades a qualquer preço?

E eu fiquei pensando: “oi? Tá falando sério mesmo?”. Quero dizer, você jura que acredita mesmo que é a publicidade que faz isso com as crianças? Que não é a educação, a criação que a criança recebe em casa? Que não é a nossa cultura, nosso produção midiática como um todo que alimenta essa birra no inconscimente coletivo das crianças?

Exemplo rápido:

Eu cresci vendo bons programas da TV Cultura. Mas neles as crianças torciam o nariz e não queriam comer (exemplo) brócolis. OK, uma situação comum para alguém com 10 anos que nunca comeu um brócolis na vida. Mas que foi criado diferente, cresceu comendo isso, é normal, natural… A criança só vai descobrir com a TV que brócolis não tem um gosto assim tão bom…

Mas e daí? eu fui influenciada pelo conteúdo dos programas da TV Cultura? Aprendi tudo o que devia aprender, até que o brócolis é ruim, apesar de fazer bem para minha saúde?

Sim e não.

Crianças são esponjas e retem 100% do que vêem por aí, mas replicar o comportamento requere uma série de fatores. A criança experimenta uma coisa sozinha, mostra para um amiguinho, faz na frente da empregada, que “não pode falar nada, porque o filho não é dela”, faz na frente dos pais “que já estão muito cansados para dar bronca uma hora dessas” e pronto! Comportamento instalado como normal. Se existe um controle um pouquinho (vou repetir, atenção:) um pouquinho maior da criança e o comportamento é repreendido da forma certa, não tem birra, não tem mal criação. Tem educação.

Sim, caros leitores, eu acredito em limites da propaganda, mas não acredito, com uma única fibra do meu tecido epitelial que a propaganda (sozinha) corrompa as pessoas.


A sociedade é feita de gente de todo tipo e toda cultura. Sinto muito desapontar quem pensa o contrário, mas a propaganda não forma culturas, o marketing não cria demandas e o papai noel vermelho não é invenção da Coca Cola.

UPDATE: vc viram o tweet do @mauriciodesouza?

estamos falando de consumo consciente e das tentativas de se proibir a publicidade dirigida à criança e ao adolescente.

Ao adolescente também? Quer dizer que ele pode receber camisinhas no colégio e decidir se faz sexo seguro ou não, mas é um coitado influenciado pela mídia que deve ter a publicidade dirigida a ele limitada? Ah, agora sim eu me desconcertei!

A música une as pessoas

Publicado por: laisd em: 2 Novembro, 2009

Sábado fui ao show de 16 anos da banda Quasímodo, na Livraria da Vila do shopping Cidade Jardim. O show tinha muitos amigos da banda, ex-integrantes, famílias, crianças, etc, etc…

Em meio às músicas de Sidney Magal, Titãs (a única música romântica deles, segundo o Dani), Léo Jaime e, claro, Quasímodo, a legião de crianças que lá estava vibrava, pulava, dançava, ria…

Não é sempre que a gente tem que falar a linguagem das crianças. Elas também falam a nossa linguagem – e nos surpreendem por isso muitas vezes. Além de ser fofo ver crianças de (sei lá) 6 anos pulando no palco ao som de Girls just wanna have fun, fiquei pensando em como a música une as pessoas – afinal, não é à toa que a gente acaba conhecendo pessoas em festas e baladas. A música quebra barreiras e nos une.

Daí lembrei que fiquei de contar a minha idéia para vocês, certo?

Façam a seguinte experiência em casa, com as crianças que vocês conhecem, lembrando de levar em conta os pontos que a pesquisa que o Cartoon Network fez desfarçada de concurso cultural levantou, já no inpicio dos anos 2000: as menians brasileiras são inteligentes, independentes e, sim, um tanto quanto feminstas. Lá vai o passo-a-passo:

Primeiro: lembrem-se das histórias da Jeannie (aquela que é um gênio), da Samantha (a feiticiera), da Emília (aquele que tinha olhos de retrós).

Segundo: contem essas histórias para essas meninas, contextualizando com acontecimentos atuais, e esqueçam dos detalhes mais machistas dessa histórias que são bem antiguinhas e de uma cultura que já não é mais a nossa.

Terceiro: observem as reações dessas meninas, se elas pedem para que vocês contem de novo a história, ou que contem outras… etc.

 

Vou contar como foi para mim. Fiz este processo com todas as meninas de 5 a 10 anos que eu já conheci (o target da pesquisa foi kids e tweens). Obtive um retorno ótimo e completamente inesperado. Da mesma forma como eu descobri a Jeannie e a Samantha lá pelos 12 anos e adorei as situações que elas viviam e a forma como conduziam seu mestre  marido, respectivamente, essas meninas riam com as histórias, ficavam preocupadas quando a Jeannie não conseguia sair da garrafa, com ciúmes quando o Major Nelson tinha um encontro e bravas com a teimosia do James, que não queria que a Samantha usasse seus poderes.

O que eu quero dizer é o seguinte: as histórias boas não morrem, são passadas adiante, de geração em geração, assim como as músicas. E essência dessas histórias, a cinestesia que elas provocam são eternas, infinitas.

 

Bem que poderiam lançar um desenho da Jeannie, não é mesmo? Seria um charme ver aquelas histórias de outrora modernizadas e coloridas como loja de doces…

E o resto é história!

Publicado por: laisd em: 27 Outubro, 2009

Fiquei pensando no que escrever. Pensei, pensei e pensei que deveria escrever o que penso.

Lá vai:

Boas histórias duram pra sempre. Estamos até hoje estudando a mitologia grega, não estamos? A sabedoria popular, a religião e a cultura de uma nação, passadas a cada geração por meio de histórias. Não é fantástico? O mesmo ocorre com as histórias bíblicas, mas a elas se dá mais o valor de “religioso” (juro que não sei que tanta diferença as pessoas vêem entre uma coisa e outra…)

Enfim, as boas histórias. Eu passo as três horas e meia que separam São Paulo de Jaú contando histórias para a minha irmã de cinco anos no carro. E daí? Daí que as histórias que eu conto são do Ziraldo, da Ana Maria Machado, da Cecília Meireles, do Monteiro Lobato, do Dr. Seuss… Algumas dessas histórias existem há mais tempo do que eu tenho de vida e ela se diverte muito com elas!

Bons contadores de histórias escrevem com o coração, para se divertirem e para encantarem as pessoas, para tocá-las de alguma forma. Eu comecei com esses autores que citei e mais alguns, passei para Pedro Bandeira, Machado de Assis, Luis Fernando Veríssimo, Jostein Gaarder… E hoje fico comovida com as histórias do José Saramago, intrigada com Sartre, interessada em Prakalad, Kotler e tantos outros. e vou mudar conforme a vida mudar.

Mas boas histórias não mudam. Passam as gerações, mudam-se as culturas e a gente continua falando de Maria Madalena, Ulisses, João e Maria… As histórias ficam e nos marcam de uma maneira muito diferente. Especial.

As palavras que eu li na minha primeira feira do livro, em 1992, logo que aprendi a ler, “ler é mais importante que estudar!”, eu não entendi logo de cara, nem depois, nem depois… Depois de muito ler, só fui entender o que o Ziraldo quis me dizer com aquilo já no fim da faculdade, quase 16 anos depois. Essa frase tem um valor para mim que não tem para mais ninguém.

OK, Laís, OK! Já entendemos! Mas o que isso tudo tem a ver com crianças?

Vou contar uma oportunidade de negócio que eu percebi em geração de conteúdo para meninas, baseada em dados coletados em entrevistas em profundidade feitas com meninas de 5 a 10 anos, de 2006 a 2008.

No próximo post.

O resto? Ah, o resto é só história!

Terceirização

Publicado por: laisd em: 23 Junho, 2009

Eu sei, eu já falei sobre isso, mas preciso falar de novo sobre a minha indignicação. Afinal de contas, POR QUE os pais teimam em terceirizar a educação dos filhos e achar que tudo de ruim que pode acontecer com eles é culpa dos outros e deve ser evitado?

Na faculdade de marketing, nós tivemos aula de ética e legislação publicitária e me lembro de um caso de uma propaganda da Fiat que foi tirada do ar porque incitava “o roubo de objetos de decoração doméstica”! Isso mesmo! Na propaganda inspirada no filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain,  o anão de jardim de uma senhora era levado por uma ‘galera’ pra conhecer praias, campos, montanhas… e depois era devolvido a ela!

Mas uma mãe achou que aquilo poderia ser um exemplo para o filho, achou que aquilo iria incentivar o filho a roubar coisas do jardim dos outros e a propaganda saiu do ar.

As pessoas reclamam que o filho viu uma cena na novela da TV, ou que assistiu a tal filme inapropriado na Tela Quente, mas se esquecem que a propgramação não tem classificação indicativa a toa e que são os pais os responsáveis pelo filho – eles são responsáveis, inclusive, pelo conteúdo midiático ao qual a criança será exposta.

Então pra que brigar? Pra que mandar cartinha enfesadinha pro Estadão? Pra que fazer reclamação no CONAR? Não seria melhor simplesmente sentar com o seu filho e explicar pra ele que o que acontece na TV e na vida são coisas diferentes? Começar a incutir na criança uma coisa chamada discernimento?

Não, é mais fácil simplesmente sentar no sofá e deixar a TV ligada…

“Truly wonderful, the mind of a child is”

Publicado por: laisd em: 12 Junho, 2009

Sempre gostei de bater uns “papos filosóficos” com as crianças que eu conheço, estimular o pensamento livre (que os publicitários chamam de think oustide the box, mas que é simplesmente a coisa mais espontânea que existe).

Quando morava no mesmo prédio em que a Gabi, eu passava um tempo com ela, na sacada, olhando para o pôr-do-sol no Parque do Ibirapuera e perguntava para ela coisas como “onde começa o céu?”, “É só depois dos prédios? Mas e se tiver um prédio mais alto do que todos os outros, o céu vai ‘subir’ ou o prédio vai ficar no céu mesmo estando no chão?”, “onde o céu acaba? No horizonte? Mas lá ele ta pertinho do chão, ó”.

O papo era sempre muito bom e eu acabava aprendendo mais com aquela menininha de 6 anos do que com os livros de física quântica que eu tenho lá em casa… Foi ela que me disse: “mas Lalá, isso depende do ponto de vista”! Teoria da Relatividade para crianças :)

No começo do mês passado, conversando com a Ana Laura, ela me perguntou sobre a minha “outra vó”, a avó materna, que é diferente da dela. Eu disse que minha avó materna morreu, quando minha mãe tinha a idade dela, num acidente de carro e nada disso a chocou (lembro que quando minha mãe me contou isso, quando eu tinha a mesma idade, eu tive uma crise de choro só de pensar em como minha mãe ficou triste…).

Intrigada com a reação dela, eu perguntei o que ela achava que acontecia com as pessoas quando morriam. Ela me explicou, muito didaticamente: “É assim: você morre, daí vem Deus e pega você e te leva pro céu. Mas é um céu de outro país. Ele pode te levar pra qualquer país. Você pode ir pra Japão, pra Jaú, pra Europa… Entendeu?”

Não sei de onde ela tirou essa história de reencarnação em outros países, já que a família do meu pai é (teoricamente) católica e a da mãe dela é evangélica e nunca ensinou essas coisas pra ela.

Mas, como a mente de uma criança é realmente fantástica, ela inventou tudo isso sozinha, no meio de uma viagem de carro.

Depois de um tempo eu ainda perguntei: “mas eu vou nascer de novo? No Japão?” E ela disse: “é, você vai ser uma criancinha de novo, só que com olhinhos puxadinhos”.

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As princesas da Disney

Publicado por: laisd em: 9 Junho, 2009

Eu li hoje no jornal sobre a primeira princesa negra que a Disney vai lançar, com a história musical A Princesa e o Sapo. Depois de muito bafafá por que a princesa era negra e empregada (com a Cinderela tudo bem?) e dizerem que ela só foi criada por causa da “Obamania”, fiquei pensando “tá, mas qual é a relevância disso”?

OK, acho ótimo que exista uma princesa negra, para criar um referencial no imaginário infantil de princesa que não seja branca (até agora a única ‘morena’ era a Jasmine, do Alladin), mas eu também sei que não é isso que vai mudar a cabeça das pessoas.

Sei que é triste admitir isso, mas em pleno ano 2009 ainda temos casos de pessoas que são discriminadas pela cor (de certa forma até consigo entender que existam brigas por território, religião, preferência partidária – é uma questão de ideais filosóficos – mas preconceito pela cor? Mesmo? Por que, minha gente? Qual é a diferença? Sendo assim, se todos fôssemos daltônicos, existiriam menos guerras?)

Enfim…

Lá na cidade da minha avó, há muito tempo, as pessoas tinham lados certos da rua – e algumas ruas certas – para andar, dependendo da cor que tivessem. Muito triste isso para uma cidade, mas o pior é que já aconteceu e ainda está marcado na cultura, nos hábitos e no pensamento das pessoas no momento em que eu escrevo esse texto.

O que isso tem a ver com crianças e a Disney, você me pergunta? As crianças, caro leitor, são como esponjas, olham tudo, escutam tudo, aprendem tudo, e replicam tudo o que absorveram, influenciando os irmãos, as outras crianças e por fim os adultos (vocês já sabem o quanto as ‘mesadas’ das crianças movimentam por ano no mundo, né? Lembram que as compras de carros e casas é influenciada pelos pequenos, certo?) O que aprendemos quando crianças acaba definindo quem somos, nossos valores e crenças e isso influencia a nossa cultura, nosso modo de agir, pensar e transmitir conhecimento.

Há pouco tempo, esse ano mesmo, minha avó me disse que ainda achava estranho ver uma pessoa branca namorando uma negra e isso me chocou e muito – tanto que eu nem consegui responder nada, apenas acenei com a cabeça para ela não ter que repetir o que tinha acabado de me falar, achando que eu não tivesse escutado – mas depois eu fiquei pensando que o homem não é uma ilha e que, apesar de não ser exatamente o produto do meio em que vive, é impossível não ser influenciado por ele. E foi por isso que eu comecei a pensar em tudo isso que você leu até agora.

Pensei que minha avó não teria essa impressão se tivesse crescido em outra cidade outra cultura, com outros costumes, menos discriminatórios.E daí, lembrei o que Federico, meu amigo argentino me disse: “as pessoas aqui olham minha família de lado, porque todos são loiros de olhos claros e eu tenho cabelo castanho e olhos cor de mel (…) nós não éramos tão discriminados quando morávamos no Brasil, lá as pessoas são mais misturadas”.

Infelizmente, o preconceito ainda não acabou – eu não sei, porque não tive essa experiência assim, de perto, mas – acredito que não seja assim só com as cores de pele e de cabelo, acho que isso também acontece com religião, preferência partidária e localização geográfica.

Sad, but true… E sabe de uma coisa?

Pensei, pensei e pensei mais um pouco pra tentar lembrar todas as pessoas que eu já conheci em todos os lugares que morei que se tornaram minhas amigas e me dei conta que em 22 anos de vida só conheço uma pessoa loira de olhos azuis que é minha amiga e mais duas colegas da faculdade…

E o que a Disney ter uma personagem que é uma princesa negra que namora um príncipe branco representa nessa história? Absolutamente nada, se nós não abrirmos nossas cabeças e virmos que as nossas diferenças mais óbvias só trazem à tona o quanto podemos ser parecidos uns com os outros.

Doce infância…

Publicado por: laisd em: 26 Maio, 2009

Hoje, li um texto no blog do Oscar Filho sobre as broncas que ele levava da mãe quando criança.

Não que eu me lembre de algum dia ter feito qualquer coisa remotamente parecida com o que ele fez, mas isso me fez pensar muito nas coisas que eu já fiz, como por exemplo, ir da minha casa para a da vizinha pelo terraço, simplesmente colocando um pé de cada lado do muro no segundo andar da casa – eu poderia ter feito isso só pelo lado de trás da casa, mas resolvi fazer pela frente e um cara que passava na rua resolveu contar pros meus pais, que me deixaram de castigo, que não durou muito tempo, já que eu tinha (tenho) essa cara de menininha boazinha que não gosta de levar bronca. Hehehe…

Não me lembro muito bem das broncas que minha mãe me dava, a não ser daquelas por brigar com meu irmão, mas uma coisa que lembro sempre é que nós tentávamos a todo custo irritar o mínimo possível minha mãe. Ela tinha uma coisa que sempre apavorava a gente quando nós ficávamos teimosos ou não queríamos obedecer – ela começava a contar: “Um, dois…” E se chegasse no três o bicho pegava. Não que ela fizesse alguma coisa, mas ela ficava muito brava e isso realmente nos deixava tristes e cabisbaixos (as if!) nos deixava realmente com medo!

Até hoje eu não entendo muito bem o porque disso, não sei qual é a mecânica do processo, mas dava certo (para a minha mãe) em 99% das vezes. Virou uma coisa histórica na família. Meu primo, que deve ter uns 30 anos, foi jantar semana passada lá em casa e nos lembrou disso.

Tudo bem, eu lembro que a mãe dele fazia um suco verde (??), dizia que era do Hulk ou do Popeye (o que estivesse pegando na época) e ele tomava.

Já pensou se a gente continuasse assim? Se as novas gerações de crianças ainda fossem assim?

 Ah, o passado….

As crianças e o dinheiro

Publicado por: laisd em: 25 Março, 2009

 A Rosely Sayão já disse:

Educação financeira é um dos assuntos do momento entre os adultos que participam da educação dos mais novos. Pais e escolas querem que crianças e adolescentes tenham uma visão equilibrada do dinheiro e de seu uso. Tarefa difícil, principalmente quando lembramos que vivemos na era do consumo.

e no Telegraph saiu:

35% das crianças inglesas têm seu proprio celular aos 8 anos, diz uma pesquisa da organização Personal Finance Education Group. Na faixa dos 15 anos, 3/4 dos adolescentes têm pelo menos um celular. O estudo indica ainda que as crianças estão ficando conscientes da necessidade de dinheiro ainda pequenas – em função da pressão dos amigos para comprar ringtones, games e também por causa dos custos das ligações.

De acordo com uma pesquisa realizada periodicamente pela Millward Brown, eu já sei que os tweens influenciam 60% das compras de carros para a família e que em 2003 eles já controlavam US$ 1,88 trilhões por ano.

Mas a bola que eu quero levantar é a relação das crianças com dinheiro. Outro dia, conversando com uma amiga, ela me contou que quando tinha cerca de sete anos, ela achava que sua melhor amiga na escola era muito rica, já que ela tinha 20 Barbies, já tinha ido pra Disney e seus pais tinham um carro (não lembro o modelo, mas sei que não existe mais) quatro portas com vidros elétricos! Quando eu tinha uns seis anos, meus pais trocaram o carro deles por um Del-Rey (!!) quatro portas com vidros elétricos e eu achei que agora estávamos ricos e que éramo uma família chique. (muitos risos) OK, tudo bem que os tempos eram outros, a moeda era outra e a tecnologia não era tão avançada e acessível quanto hoje, mas o que faz uma criança achar que ela é rica?

Provavelmente, eu e minha amiga tínhamos essa impressão quando crianças porque comparamos o que nossa família possuía com aquilo que estávamos vendo – ora, antes do Del-Rey, a gente tinha uma Belina e uma Vespa!

Quando eu já estava na primeira série, comecei a ver que meus colegas da escola recebiam mesada e eu não entendia muito bem como isso funcionava, mas queria ter uma também. Minha mãe nunca foi muito fã de dar mesada pra gente, pois ela sabia que eu e meu irmão não saberíamos administrar o nosso dinheiro, mas depois de estabelecido o plano Real e já que eu já tinha nove anos (e me achava muito madura…) minha mãe inventou um novo jeito de nos dar a mesada.

Era um jeito “colaborativo”.  A gente tinha que ir com a minha mãe fazer as compras do mês e ela deixava que cada um de nós gastasse dez reais com o que a gente quisesse – fosse bolo, bala, chiclete, chocolate, pipoca ou qualquer outra porcaria – mas ela não dava nem um real a mais para cada um e assim, nós tínhamos que fazer contas, pensar no que valia a pena levar pra casa, calcular se saía mais barato levar o pacote grande ou dois pequenos, e nos ajudávamos quando um passava do orçamento, mas o pagamento seria feito já no mês seguinte, na próxima compra.

Além de ganhar a mesada, nós começamos a ter a noção do que era caro ou barato, em relação a nosso orçamento. Então, começamos a planejar melhor o que nós queríamos comprar.

Aliás, todo ano, vou cm meu namorado levar as minhas afilhadas para comprar seus presentes de aniversário e dia das crianças, que cai tudo em outubro, então em um dia compro quatro presentes. Eu sempre falo para elas que o presente não pode ser muito caro, mas elas sempre ficam na dúvida: “quanto é caro?”. Ano passado eu estabeleci a regra que se o preço tiver três números escritos antes da vírgula é caro. Ou seja, elas podem escolher o que quer que seja até cem reais por presente. Elas são muito educadas e compreensivas quanto a isso, portanto não fazem birra se digo que não vou comprar aquele patins da Barbie. Elas simplesmente escolhem outra coisa e pronto.

Na primeira que fomos, a Giovanna tinha acabado de fazer quatro anos e queria uma Baribie bailarina, que custava uns 60 reais. Tudo bem, eu ia levar. Mas daí eu vi uma “genérica”, que vinha com espelho, a barra de exercícios e a irmãzinha dela por 20 reais. Mostrei para a Giovanna e ela quase jogou a outra boneca que estava na mão para agarrar a caixa da barbie genérica. Economizei quarenta reais, porque ela ainda não tinha a percepção de marca ou de qualidade. (mas só pra constar, as bonecas ainda estão lá até hoje)

O fato é que é tudo uma questão de referencial, de comparar o que se tem com o que se quer. Caro ou barato depende do orçamento disponível para a compra, da oferta de produtos similares, da qualidade e da marca. Então, no fim das contas, as crianças aprendem a lidar com dinheiro à medida que os pais deixam que isso aconteça na vida delas, ao passo que elas aprendem a fazer contas na escola e têm vontade de ter alguma coisa que viram na TV ou na escola.