Reflexões sobre os jovens e a Geração Y

26 jan

Mais um texto direto do YoungFlies, é velhinho, mas fui eu que fiz:

Passamos um tempo hoje aqui no QG da Namosca sem internet. Com isso, consegui parar pra escrever um pouco e, depois de uma pergunta que me fizeram, parei pra pensar nas coisas da firrrma, na falta de internet que me irritou e no que eu, enquanto colaboradora pertencente à Geração Y quero da empresa onde trabalho e do meu futuro. Li alguns textos que tinha salvo aqui e cheguei às seguintes conclusões:

A Geração Y leva para as empresas e líderes uma mudança radical e quebra de padrões no que diz respeito a gerir, reter e motivar talentos. FATO. Identifico-me 100% com essa afirmação e vejo a mesma característica nos meus colegas Y.

Entre as características mais importantes dessa geração estão a informalidade e o questionamento, o pouco interesse por gerenciar e a preferência por trabalhar por projetos, por jobs. Os componentes da Geração Y são dinâmicos e possuem facilidade para trabalhar em grupo, mas desejam flexibilidade e mobilidade em seus trabalhos, além de necessitarem de feedbacks e querer ascender profissionalmente com rapidez.

É possível perceber que as características e peculiaridades dessa geração criam conflitos constantes e geram certo desconforto nas organizações, muitas vezes estagnadas e burocráticas, levando-as muitas vezes à elevação do turnover e ao aumento da rotatividade de empregos destes jovens – mas não é só isso que causa um turnover alto nas empresas, que fique registrado…

Os jovens tem um espírito questionador, criativo e possuem alta afinidade com muitas tecnologias e meios de comunicação, fatores que estão diretamente fundamentados na base das inovações tecnológicas, que atualmente se converteram em um dos principais determinantes da competitividade empresarial. Por outro lado, também vejo algumas deficiências comuns aos hábitos desta geração, como baixa capacidade de gerir e administrar, dificuldades para se expressar adequadamente, sobretudo por escrito (cada currículo que eu li quando selecionava pessoas para entrevistar, que vergonha!), tudo em decorrência da falta do hábito de leitura que vejo em muitos colegas Y.

(clica na imagem pra abrir e ler tudo!)

Para aproveitar os talentos dessa nova geração e eliminar estas deficiências, grandes empresas tem buscado programas de capacitação e desenvolvido competências gerenciais e de liderança para jovens talentos.

O problema é que só isso não tem sido eficiente, já que as empresas cada vez mais precisam adequar seus modelos de recrutamento, capacitação e gerenciamento de recursos humanos e enfrentam essas deficiências de maneira criativa e diversificada, percebendo que os jovens que dão pouca importância às hierarquias querem tomar conhecimento de tudo, mas que são inquietos e precisam acreditar no que fazem – caso não acreditem ou sintam-se limitados, partem para outra iniciativa ou para a criação de sua própria empresa (FATO!).

Com isso, as empresas acabam perdendo toda a força motriz dessa geração que é inovadora, impulsionadora e evolutiva… Uma pena, porque basta ser aplicado o suficiente e ter bons ouvidos para entender o que a Geração Y quer da vida e do trabalho.

Tá me ouvindo?

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Nossa capacidade de planejar é limitada

14 jan

Mais um texto meu no YoungFlies!

Passei um tempo pesquisando sobre tendências de mercado, comunicação e mídias sociais para escrever aqui no blog e acabei me deparando com esse artigo da Super Interessante, que me despertou a vontade de escrever outra coisa aqui.

(também foi da Super Interessante que eu surrupiei essa imagem)

O artigo falava, basicamente, das resoluções de ano novo que as pessoas fazem, porque acham que se o ano mudou, a vida vai mudar também. O top 10 de resoluções era esse aqui:

1. Perder peso (1.470 votos)

2. Comer, beber, aprender ou tentar algo novo (999 votos)

3. Guardar dinheiro (909 votos)

4. Ser feliz (890 votos)

5. Definir uma meta atlética acessível, tipo correr 5 ou 10 km (822 votos)

6. Se apaixonar (695 votos)

7. Tirar fotos em todos os dias do ano (659 votos)

8. Arranjar um emprego (652 votos)

9. Ler mais (620 votos)

10. Parar de fumar (452 votos)

Mas a gente sabe que as pessoas raramente cumprem as resoluções que planejam para suas vidas, não é mesmo? A razão para isso, caro leitor, eu encontrei no ano passado (ah, os áureos tempos de 2010), na aula de Neurociências Aplicadas ao Consumo, lá na pós da ESPM.

A culpa não é da força de vontade, do povo brasileiro ou da atual conjuntura econômica. A culpa é nossa e da nossa evolução. Vejamos, do ponto de vista evolutivo, o homem é um ser muito novinho, quase um bebê.

Mas o que a evolução tem a ver com o nosso comportamento? Oras, trabalhamos com o que temos, é o que eu sempre digo! Vou contar: nosso processo de tomada de decisão é majoritariamente emocional e as emoções primárias tem razões evolutivas.

Não ficou claro? Explico mais: a emoção é o jeito inteligente da natureza otimizar nossas ações  –  é a emoção que automatiza as nossas atitudes. Em outras palavras, são as nossas emoções que nos fazem agir e tomar as decisões que tomamos – por exemplo, milhares de anos atrás, uma emoção fez com que nós, seres humanos, ficássemos apenas em um lugar, plantando comida na nossa fazendinha (ainda fora das redes sociais). É a ânsia pelo novo, a expansividade do ser humano que garante a nossa evolução – se a gente fosse acomodado e gostasse de mais do mesmo, teríamos sido dizimados milhões de anos atrás.

Mas o que isso tem a ver com as resoluções de ano novo?

Fiz um grande parêntesis para dizer que, não sei se alguém já notou, mas o que difere o homem dos animais não é o pensamento – os animais são inteligentes também – e sim o fato de que o homem é o único animal que pensa sobre o futuro. Aliás, é neurologicamente impossível para uma pessoa não pensar sobre o futuro (só eu aqui, em cinco minutos pensei umas duas vezes sobre isso).

Planejar o que faremos no futuro é projetar emocionalmente nossos corpos e mentes no futuro e, por ser um processo essencialmente emocional, o planejamento quase nunca segue uma ordem lógica e racional.

Planejar é o que faz com que a nossa vida seja como ela é! Por isso que todos os dias pensamos em coisas que gostaríamos de fazer, mas que acabamos não fazendo, ou fazemos mudando completamente o plano original. É porque somos humanos, somos jovens. ;)

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Juventude, Consumo e Cidadania e o que isso tem a ver com você

3 dez

Estou no Seminário Juventude, Consumo e Cidadania, na ESPM e escrevo especialmente para o Young Flies para contar um pouco da pesquisa feita pelas ESPM SP e RJ, com o apoio do Banco Santander, com 457 jovens de 16 a 25 anos, das classes A, B e C em São Paulo e no Rio de Janeiro, apresentada pela antropóloga Lívia Barbosa.

Lívia começou a apresentação conceituando o consumo como um ato político de demonstração de poder na sociedade em que vivemos, destacando que essa não é uma característica apenas da sociedade contemporânea, mas que vem desde Florence Kelly, que, em 1889, iniciou uma campanha pelos direitos dos consumidores, passando pela Revolta das Barcas em Niterói, na década de 60 e pelos Fiscais do Sarney pouco tempo depois.

Continue lendo este post no Young Flies.

Beijo!

 

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Muito prazer, eu sou a Geração Y

3 mai

Dá uma olhada no vídeo feito pelos meu queridos colegas de pós graduação da ESPM sobre a Geração Y epense no seguinte: se a Geração Y (a minha) já é assim, como serão as próximas (M e Z)?

A Geração Y é composta por pessoas nascidas a partir de 1980, ou nascidas após 1977. É formada por pessoas que cresceram com a internet, e é a sucessora da Geração X, que viu a queda do muro de Berlim criou o Google, Amazon e YouTube e que é filha da geração dos Baby Boomers, os filhos do pós-guerra, primeiros a crescerem com a TV.

Chamados também de geração Millennials (Filhos do Milênio) e Geração Internet, pela Wikipédia, e ainda igeneration (Geração i), Geração Einstein e até Geração Google, segundo o artigo do jornal da Universidade de Oberlin, Ohio (EUA), eles cresceram com a super proteção dos pais, acostumados “com tudo na mão e na hora” e considerados especiais.

Essas terminologias contextualizam como a Geração Y cresceu, no meio de diversos recursos da Internet, iPods, Messenger, redes sociais, celulares, imersos no mundo digital com um intenso fluxo de informações. Se tornaram multitarefa e ao mesmo tempo em que lêem notícias na internet, conversam por mensagens instantâneas, assistem TV e falam no celular, conforme explica Rita Loiola, responsável por estudos do comportamento humano, na Revista Galileu em outubro de 2009.

Eles são individualistas, ambiciosos, confiantes, expressivos, otimistas, inovadores, estão sempre abertos à mudanças e acreditam que podem mudar o mundo. Segundo o professor de comportamento humano da Fundação Dom Cabral, Anderson Sant’Anna, “tudo é possível para esses jovens. Eles querem dar sentido à vida, e rápido, enquanto fazem outras dez coisas ao mesmo tempo”.

Como essa é a primeira geração a ter acesso fácil à internet, as formas de pensar mudaram rapidamente: os jovens que formam a Geração Y se importam com o meio ambiente, são menos religiosos e vem de famílias não tradicionais; talvez por isso os direitos de gays também tenham se tornado mais aceitos.

Em geral, os integrantes da Geração Y tem se mostrado como consumidores infiéis e céticos em relação às empresas e procuram afinidade com a marca para expressar o comportamento do grupo. Querem “trocar idéias”, dialogar com a marca e para isso precisam de espaço para interação com a marca.

No ambiente de trabalho, os integrantes da Geração Y lidam bem com a tecnologia, gostam de trabalhar em equipe, sempre dizem o que pensam, tratam superiores de igual para igual, valorizam a prática e experiência no aprendizado, são leais aos colegas e possuem valores éticos muito fortes. Também são impulsivos, impacientes e mudam de empresa caso não se sintam valorizados ou confortáveis no ambiente corporativo

Essa é uma geração que adora feedback, quer ver resultados rápidos ser desafiada constantemente, além de sonhar em conciliar seu trabalho com sua vida pessoal.

De acordo com matéria veiculada na revista INFO em 2009, a principal característica da Geração Y é a conectividade. Essa é uma geração mais ligada nas coisas que a anterior – em um sentido que vai além da tecnologia. O jovem dessa geração vê conexões em coisas do cotidiano que aparentemente são distintas e que soam abstratas para outras gerações. Por exemplo, um jovem pode ligar uma experiência de trabalho com uma experiência de lazer, o que é inconcebível para gerações anteriores. Expressões comuns, como “primeiro o trabalho, depois o lazer” não são lógicas para ele, ou seja, o prazer deve estar aliado ao trabalho.

Outra característica a ser destacada é que essa geração é muito mais colaborativa, mas de forma diferente à geração anterior, que tinha um espírito coletivo e senso de comunidade. A Geração Y trabalha em equipe, se envolve em ambientes em que possa manifestar uma parte da coisa e não o todo. O jovem dessa geração quer pessoas à sua volta e acredita que as coisas só acontecem com a participação de todos. Apesar disso, esse jovem é individualista, no sentido de querer deixar sua marca na experiência que está vivendo. Essas características estão cada vez presentes na forma de pensar e agir dos jovens.

Entendeu por que a gente é tão diferente? Imaginou o impacto disso nas crianças e adolescentes de hoje? Conseguiu pensar no seu futuro?

É, amigo… não vai ser fácil…

UPDATE: adorei esse vídeo aqui, que acabei de assistir:

Eu vi aqui.

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Vida simples

5 fev

Assista ao vídeo a seguir e depois a gente conversa.

Antes que alguém diga alguma coisa, esse post expressa uma opinião pessoal. Não é a verdade universal nem divulga dados de nenhum estudo realizado em oito países.

A coisa é simples, mas tem um nome que as pessoas se negam a pronunciar ou acham que é um assunto complicado de lidar: planejamento familiar. Vou simplificar, preste muita atenção: não quer, não faz.

Não entendeu? Ok, eu explico.

O negócio é o seguinte: se a pessoa não quer ter um filho, é só não fazer um filho. É simples. Ninguém é menos ser humano por não querer procriar. E não é nem pela procriação em si. Tem gente que não gosta de criança, outros simplesmente não sabem cuidar de uma. E é por esse motivo específico que eu faço a seguinte campanha: se você não tem a capacidade para cuidar de um filho, torne-se estéril.

Daí você pode pensar: “Ai, que agressiva, Laís…”

Mimimi. Não ligo nem um pouco para o quão agressivo isso possa parecer. Mas aviso: isso é muito mais uma confissão, um pedido, um apelo. Não tenho a intenção de parecer uma coitada, mas quisera eu ter um pai que estivesse preparado para ser (efetivamente) um pai. Já tive problemas, ainda tenho e com certeza vou ter muito mais com isso, mas hoje percebo que muitos deles ocorreram pela imaturidade e a falta de preparo do meu pai para ser uma pessoa melhor como pai. Hoje, com outra filha, ele é completamente diferente. Percebo que agora ele se tornou o homem adulto, maduro e firme – o pai – que sempre me fez falta.

Eu não passei por muitas coisas que as crianças passam com seus pais e deve ser por isso que hoje eu acho que se alguém vai ter um filho que não quer ter, que simplesmente não tenha. ATENÇÃO: não quero defender NENHUM ponto de vista além do meu, que é o seguinte: criança alguma merece ser criada por uma pessoa despreparada. Acho que muitas vezes é melhor crescer sem pai ou mãe do que com uma pessoa que fica tão de saco cheio por estar em uma situação indesejada que no fim das contas não merece o mínimo respeito dos filhos que pôs no mundo.

E tem outro problema ainda pior: o das crianças mal criadas. Crianças que fazem birra como essa do comercial a que você assistiu ali em cima são culpa de maus pais. São um reflexo escancarado do que os pais fazem em casa. Só que nem sempre as crianças sabem expressar ironia e sarcasmo e fazem birra.

Tem gente que quando vê uma criança mal criada fazendo birra por aí fica feliz por não ter filhos. Eu fico feliz por não ser filha daqueles pais. Vai saber o que eles fazem dentro de casa…

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Qual a coisa que você queria muito quando criança e nunca teve?

29 dez

Vou começar pela explicação: a mãe da minha mãe morreu muito cedo, por causa de um acidente de carro. Daí, minha mãe sempre teve avó, irmãs, tias, primas, amigas, etc, mas nunca teve mãe. (Teve, mas só até os cinco anos).

Então, como eu soube disso muito cedo (naquela fase dos por quês, que toda criança passa, lá pelo cinco ou seis anos de idade), eu sempre pensei que deveria ajudar minha mãe a ser a mãe que eu queria que ela fosse. Até hoje deu certo. Sempre mantive um canal de comunicação aberto com ela e hoje acho que tenho uma mãe fantástica, sem igual no mundo todo.

Assim, enquanto eu ia percebendo o que dava ou não certo comigo e o meu irmão em termos de didática, parenting, psicologia infantil e afins, fui percebendo uma certa decadência no poder parental ultimamente. (Falei sobre isso recentemente com meu amigo querido do colégio, que em breve será um brilhante psicólogo.) Explico o que seria essa decadência ao meu ver em poucas palavras: falta de respeito.

Às vezes eu tenho a impressão de que os filhos não estão nem aí pros pais até que a coisa aperte. então um belo dia tinha um moleque chato no shopping, daqueles bem mal criados (culpa dos pais, óbvio) fazendo birra porque a mãe estava levando-o embora do parquinho e ele queria ficar. Uma bela hora a mãe decide dizer “então tchau, fica aí” para ver se o menino ia correr atrás dela, mas depois de pedir tantas vezes com educação, para que “por favor” o menino fosse com ela, o guri simplesmente ficou lá, olhando com uma cara de quem sabe que é o poderoso da relação.

Eu não tive dúvidas (e meus amigos psicólogos vão me matar por isso, mas…) aproveitei que a mãe não estava olhando pra ele, abaixei e disse, olhando nos olhos dele, a seguinte frase: “se você não for agora com a sua mãe eu te pego e te levo pra minha casa!” Adivinha o que aconteceu? O garoto se arrependeu instantaneamente de não ter ido com a mãe e saiu correndo para pegar na mão dela e ir para a segurança do seu lar.

Sei lá, às vezes acho que criança precisa de um choque, pra aprumar de volta. Quando minhas priminhas ficavam alugando minha avó com “quero isso”, “me dá aquilo”, “quero agora!”, “não gosto” and stuff, eu simplesmente olhava pra elas e travava o seguinte diálogo:

- O que você quer?

- (whatever)

- Tá, eu quero um pônei. Você me dá um?

- Não…

- Por que?

- Porque não tem um pônei aqui/ não tenho como te dar um pônei/ porque é caro… (whatever 2)

- Então, se você não me dá um pônei porque não pode, eu também não tenho como te dar o que você quer. Agora sentaí e obedece a vovó.

Por que falar assim com crianças? É uma questão de recirpocidade: se elas chocam os adultos pelo desrespeito, a falta de educação, a birra, etc – tudo culpa dos pais, que não sabem criar os filhos, claro – por que não podemos chocá-las também? Com um confronto como esses, a criança acaba percebendo como seu pedido não é possível de ser realizado, cai na realidade.

É o tal negócio, que eu acabo ensinando a todas as crianças com quem tenho contato: se você não gosta de uma coisa, não faça o mesmo com os outros. Ou seja: se você não pode me dar um pônei, não me peça nada! :P

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ah, o Natal…

23 dez

Sempre gostei de Natal.
Natal e Páscoa são os meus feriados favoritos do ano todo.

O que eles tem em comum para mim?

- Eu sempre ganho coisas (no Natal, tem os presentes e na Páscoa tem os chocolates);

- Sempre tem (muita) comida boa;

- Eu vou viajar;

- Eu vejo minha família.

Mas acho que, de todas as coisas, o fator mais importante que me fez valorizar essas datas, foi o empenho da minha mãe. Podia acontecer o que fosse que ela sempre dava um jeito de tornar o Natal e a Páscoa em datas mágicas. Eu acreditava no papai Noel e no coelhinho da Páscoa. Passava os dias depois dessas datas comentando como tinha sido a passagem deles naquele ano, o que aconteceu e tudo o que eu vi.

Minha mãe era uma pessoa tão mágica e habilidosa que eu conseguia sentir a presença desses personagens. Ela nos contava histórias, dava pistas, dicas, cantava músicas e nos envolvia na brincadeira e mantinha acesa a chama pura e lindamente infantil de acreditar em algo mágico.

Ela sempre nos disse que se acreditaos no papai noel ele existe – disse isso ainda essa semana para a Gigi, irmãzinha de 6 anos da minha afilhada, que descobriu que o tal do bom velhinho não existe.

Mas é aí que vem o pulo do gato pra acreditar em papai noel depois que se cresce: ele existe nas outras pessoas, que nos presenteiam com objetos, sorrisos ou gentilezas. Acho que o papai noel de verdade não é aquele cara de vermelho, mas sim, aquela pessoa que nos surpreende com um gesto de carinho quando menos esperamos e que, no fim do dia, na hora em que colocamos a cabeça no travesseiro pensando na vida, percebemos que ela nos transformou em uma pessoa um pouquinho melhor e nos fez sentir a felicidade (aquela que desejamos quando dizemos “feliz Natal”) por um tempo.

E é assim que eu concluo, perante todos vocês, queridos leitores, que minha mãe é (e sempre foi) o meu papai noel.

Quem é o seu?

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Os PGE’s que eu quero assistir esse semestre

30 nov

Todo fim de semestre na ESPM é pura alegria: quem se forma faz PGE. Daí fiquei feliz em ver como a publicidade no meio infantil é um tema que não interessa só a mim, mas também uma galera que fez desse o tema do seu projeto de graduação.
Aqui vai a lista com dias, temas e horários dos PGE’s infantis.

Quarta (2-12)
Mídia contemporânea, consumo musical e culturas juvenis – 19h30, sala B317

Segunda (7-12)

PGE Disney – 21h20, auditório Phillip Kotler

Terça (8-12)
Infância e publicidade – 17h20, sala B317

Quarta (9-12)
Personagens infantis – 17h20, sala B317
Espaço urbano e a cultura juvenil – 19h30, sala B317

Sexta (11-12)
Infância e consumo – 17h20, sala B317

Todos no campus da Rua Álvaro Alvim, 123 – Vila Mariana (que saudades!)

Acho bacana ir lá ver, nem que seja pra discordar de tudo e depois bater um papo. :)
#ficadica

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infância geek

13 nov

O termo “Geek”, que tem sido largamente usado na nossa história recente, quer denominar um “nerd”, termo que a gente já cohece desde os anos 80, que é mais descolado. (yatta, yatta, yatta, vou explicar do meu jeito agora: um geek é um nerd com amigos.)

Como recebi um pedido de ajuda essa semana com a seguinte desculpa:

É que você é a amiga mais geek e inteligente que eu tenho…

(quase acreditei, tá?)

E além disso, ouço sempre as pessoas me perguntando coisas e depois elas se supreendem porque eu sei a resposta. (Se não esperam que eu saiba, por que vocês perguntam? Não que eu realmente me ache tudo isso, mas quando eu não sei eu vou pesquisar e depois que eu fico sabendo, já era. Eu catalogo a informação). Daí fiquei pensando: como eu era e o que eu fazia quando criança para ter me tornado uma grown up geek?

Quero dizer, nós, “adultos” somos formados por experiências de toda uma vida. Acredito sim  – com algumas reservas – que o homem seja produto do meio em que vive, nem que seja para fazer tudo exatamente de outra forma. Porque não tem jeito: a gente aprende ao longo do caminho e se adapta às condições em que vive. Não sou eu quem está dizendo isso. Se você discorda, vai ter que discutir no after life com Durkheim, Darwin e uma galera…

Além de tudo isso, essa semana vi de novo e me diverti de novo com o vídeo a seguir:

“Don’t talk back to Darht Vader, he’ll get ya!”

Linda, né? Tem todos os requisitos: criança contando uma história aclamada durante anos por milhares de fãs ao redor do mundo, de um ponto de vista único, de forma única, pura e simples. 

Então, passei a perguntar para as pessoas, no twitter, que coisa geek/ nerd/ cdf elas faziam quando crianças e no próximo post me proponho a analisar como essas experiências as transformaram no que são hoje. (Meu filtro vai além de “e hoje são usuários do twitter”). Algumas das respostas que tive foram:

Qdo eu tinha uns 2 ou 3 anos, nos almoços, decorei as letras do alfabeto que eram imãs da geladeira e tentava formar palavras. @JessikaYuri

Eu, com 6 anos, tinha um grupo de teatro que encenava os musicais da Disney. Ensaiávamos todo dia e fizemos 3 apresentações. @nutpie

Eu montava computadores, ao invés de brincar de Lego. @rubaorubao

E outros anônimos, que vieram ao vivo:

Aprendi a ler com 4 anos e achava que meu irmãode 3 também tinha que saber. Então ensinei a ele.

Na hora de brincar na sala de aula eu ia pro fundo da sala ler algum livro.

Minha amiga queria ser uma paquita pra ajudar a Xuxa no palco. Eu queria ser a Leslie, do Beakmann, pra fazer as experiências.

Eu tenho uma sacola do Star Wars com meu rosto no lugar do C3PO.

Eu achava que aprendia pouco quando estava no jardim 2, precisava de novos desafios.

Fiquei indignada quando descobri que na nova escola não tinha aula de filosofia no ensino fundamental.

Que fique claro uma coisa: eu não entendo por “geeks”, apenas os aficionados por tecnologia e comunicação. compreendo que somos aficionados por compartilhar conhecimento com os amigos. :)

Você se acha geek? Lembrou de algum fato de sua tenra infância e quer dividir com quem lê este blog? Conta pra gente nos comentários!

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A publicidade infantil é ética?

5 nov

OK, já dei minha opinião aqui antes… Vocês já sabem o que eu penso a respeito disso.

A ética de alguma coisa (QUALQUER COISA NO MUNDO!) depende de quem faz a tal coisa.

Daí eu abro um link sobre esta pauta que começa com os seguintes dizeres:

Vocês já perceberam como as crianças de hoje pressionam os pais para comprar esse ou aquele produto ou marca de sua preferência? Que suas teimosias, birras, explosões de ira, são cada vez mais freqüentes, querendo nos impor suas vontades a qualquer preço?

E eu fiquei pensando: “oi? Tá falando sério mesmo?”. Quero dizer, você jura que acredita mesmo que é a publicidade que faz isso com as crianças? Que não é a educação, a criação que a criança recebe em casa? Que não é a nossa cultura, nosso produção midiática como um todo que alimenta essa birra no inconscimente coletivo das crianças?

Exemplo rápido:

Eu cresci vendo bons programas da TV Cultura. Mas neles as crianças torciam o nariz e não queriam comer (exemplo) brócolis. OK, uma situação comum para alguém com 10 anos que nunca comeu um brócolis na vida. Mas que foi criado diferente, cresceu comendo isso, é normal, natural… A criança só vai descobrir com a TV que brócolis não tem um gosto assim tão bom…

Mas e daí? eu fui influenciada pelo conteúdo dos programas da TV Cultura? Aprendi tudo o que devia aprender, até que o brócolis é ruim, apesar de fazer bem para minha saúde?

Sim e não.

Crianças são esponjas e retem 100% do que vêem por aí, mas replicar o comportamento requere uma série de fatores. A criança experimenta uma coisa sozinha, mostra para um amiguinho, faz na frente da empregada, que “não pode falar nada, porque o filho não é dela”, faz na frente dos pais “que já estão muito cansados para dar bronca uma hora dessas” e pronto! Comportamento instalado como normal. Se existe um controle um pouquinho (vou repetir, atenção:) um pouquinho maior da criança e o comportamento é repreendido da forma certa, não tem birra, não tem mal criação. Tem educação.

Sim, caros leitores, eu acredito em limites da propaganda, mas não acredito, com uma única fibra do meu tecido epitelial que a propaganda (sozinha) corrompa as pessoas.


A sociedade é feita de gente de todo tipo e toda cultura. Sinto muito desapontar quem pensa o contrário, mas a propaganda não forma culturas, o marketing não cria demandas e o papai noel vermelho não é invenção da Coca Cola.

UPDATE: vc viram o tweet do @mauriciodesouza?

estamos falando de consumo consciente e das tentativas de se proibir a publicidade dirigida à criança e ao adolescente.

Ao adolescente também? Quer dizer que ele pode receber camisinhas no colégio e decidir se faz sexo seguro ou não, mas é um coitado influenciado pela mídia que deve ter a publicidade dirigida a ele limitada? Ah, agora sim eu me desconcertei!

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